A intervenção artística percorreu a caminhada na Orla da Barra e emocionou manifestantes ao denunciar a violência contra mulheres no Brasil.

A artista visual Lilian Morais realizou uma performance de forte impacto social durante a caminhada do 8 de março, na Orla da Barra, em Salvador. A ação integrou as mobilizações do Dia Internacional da Mulher e chamou atenção do público ao denunciar o avanço da misoginia e o alto número de feminicídios no país.
A intervenção deu continuidade a uma performance iniciada dias antes, na segunda-feira de Carnaval, durante a tradicional Mudança do Garcia. Intitulada “Criminalização da Misoginia e Prisão Perpétua para o Feminicídio”, a ação acompanhou todo o percurso da caminhada, transformando o corpo da artista em um manifesto político.
Durante o trajeto, a performance provocou forte reação entre as participantes. Muitas mulheres se emocionaram, algumas choraram e outras expressaram indignação diante da dimensão da violência de gênero no Brasil.

Segundo Lilian Morais, a proposta da intervenção é ampliar o debate público e pressionar os três poderes da República — Executivo, Legislativo e Judiciário — por mudanças na legislação brasileira. Entre as reivindicações apresentadas pela artista estão a criminalização da misoginia e a aplicação da pena máxima para o feminicídio, como resposta à gravidade dos crimes contra mulheres.
A performance se apoia em dados que revelam a dimensão da violência no país. De acordo com levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registra mais de mil feminicídios por ano, o que significa que uma mulher é assassinada por razões de gênero praticamente a cada poucas horas. Além disso, milhares de casos de agressão, estupro e violência doméstica são registrados anualmente.

Outro dado que tem preocupado pesquisadoras e movimentos feministas está relacionado ao ambiente digital. Estudos e reportagens internacionais apontam que mais de 160 milhões de pesquisas na internet já foram registradas com perguntas sobre como matar uma mulher sem deixar rastros, evidenciando a circulação de conteúdos associados à violência de gênero.
Para a artista, o crescimento de comunidades misóginas na internet, incluindo grupos associados à chamada cultura “redpill”, contribui para a disseminação do ódio contra mulheres. Segundo ela, esses espaços digitais frequentemente estimulam discursos violentos e naturalizam formas de agressão.
“A arte precisa reagir quando a sociedade naturaliza a violência”, afirma Lilian Morais. “A performance é um pedido coletivo de socorro e também um chamado para que a sociedade enfrente esse problema de forma estrutural.”
A intervenção artística realizada nas ruas de Salvador reforçou o caráter político do 8 de Março, tradicionalmente marcado por atos públicos, protestos e manifestações culturais em defesa da vida, da dignidade e dos direitos das mulheres.




