Lilian Morais
Como artista visual, estou embarcando em uma jornada profunda e transformadora que eu chamo de “Decolonizando o Colonizador”. Este processo não é apenas uma reavaliação crítica das estruturas de poder que moldaram nossa história, mas também uma reconfiguração das formas como produzimos e valorizamos o conhecimento e a arte.
A decolonização epistemológica é o ponto de partida dessa trajetória. Por muito tempo, fui conduzida a pintar dentro dos parâmetros do eurocentrismo, onde as técnicas, os temas e as estéticas ocidentais eram considerados o padrão de excelência. Este modelo de arte, embora tecnicamente desafiador e historicamente significativo, negligencia e marginaliza as ricas tradições e saberes de outras culturas.
Meu trabalho atual busca romper com essa hegemonia. Estou me libertando das amarras do colonialismo cultural para abraçar e integrar as tradições artísticas e os conhecimentos visuais que foram historicamente subjugados. Esta mudança não é apenas estética, mas também epistemológica: estou questionando as hierarquias de conhecimento e redescobrindo a validade e a beleza dos saberes locais e indígenas.
Na prática, isso significa explorar novas formas de expressão e técnicas que refletem uma diversidade de influências.
A arte tem o poder de ser um agente de mudança e conscientização. Ao decolonizar minha prática artística, não estou apenas expandindo os horizontes do que considero belo e significativo, mas também participando de uma conversa maior sobre justiça social e reconhecimento de vozes marginalizadas. Este é um convite para que outros artistas e espectadores reflitam sobre as influências que moldam nossas percepções e valorizem a riqueza de uma abordagem mais democrática e inclusiva à arte.
“Decolonizando o Colonizador” é, portanto, uma celebração da diversidade e uma rejeição das limitações impostas pelo eurocentrismo. É um esforço contínuo para criar uma arte que seja verdadeiramente representativa e que honre todas as formas de conhecimento e expressão que contribuem para a tapeçaria vibrante da experiência humana.
Artista visual.
Vive e trabalha em Salvador, Bahia, Brasil.
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